A DIGNIDADE E A UNIDADE OPERÁRIA NÃO ACEITAM PRESSÃO DO PATRÃO
Trabalhador e trabalhadora da CBTU, o momento exige lucidez, firmeza e, acima de tudo, confiança, sem recuar diante da tempestade.
Recentemente, a direção da CBTU emitiu um comunicado interno que, no nosso entendimento, tentar dividir as nossas bases e colocar a categoria contra seus próprios interesses ao induzi-la a uma assinatura apressada do Acordo Coletivo. Trata-se de uma tática negocial antiga e conhecida. Em outros momentos desta negociação, a Empresa usou o mesmo argumento taxativo da "proposta definitiva" e, quando enfrentou a nossa resistência organizada, foi obrigada a reabrir o diálogo.
Uma proposta só é final quando a categoria, soberana em assembleia, decide aceitá-la.
Muitos trabalhadores estão se perguntando por que os sindicatos e Federações signatárias deste boletim não convocaram assembleias para aprovar o acordo, como a Empresa queria, e a resposta é simples: responsabilidade e compromisso em lutar pelo melhor futuro possível para todos. Nossa pauta foi construída a muitas mãos, ouvindo trabalhadores e trabalhadoras de diversas bases da CBTU, e encaminhada à empresa ainda em fevereiro.
Desde o início das negociações, porém, enfrentamos sucessivas negativas, respostas insuficientes e poucas alternativas concretas. Ainda assim, mantivemos firmeza na defesa das reivindicações centrais da categoria e denunciamos, desde a primeira rodada, a postura inflexível da empresa.
Na segunda rodada, após intenso debate, a CBTU apresentou a proposta de reajuste correspondente a 80% do INPC e tentou impor o encerramento das negociações até 31 de maio. As entidades sindicais rejeitaram essa tentativa, defenderam a continuidade das tratativas e conquistaram a prorrogação da vigência do ACT.
Na terceira rodada, avançamos para a proposta de recomposição de 100% do INPC, manutenção de todas as cláusulas vigentes e prosseguimento das discussões. Infelizmente, a reunião foi interrompida pela tragédia que vitimou um trabalhador da CBTU no Recife.
Mesmo diante desse cenário, a empresa voltou a adotar uma postura de urgência injustificada, convocando nova reunião com menos de 24 horas de antecedência e tentando acelerar o encerramento das negociações. As entidades sindicais aqui signatárias rejeitaram essa condução e defenderam mais tempo para analisar informações que a própria empresa entregou de forma parcial e durante as reuniões anteriores.
Um dos exemplos disso foi o caso do AMO, que somente após insistentes cobranças tivemos acesso aos estudos técnicos, que revelaram uma realidade preocupante: aproximadamente um terço da categoria sequer é atendido pelo programa! Como poderíamos convocar uma assembleia para aprovar um acordo sem questionar essa realidade, sem ao menos tentar reverter essa situação? Pois que, com muita persistência, conquistamos a realização de uma mesa presencial em Recife, no próximo dia 9.
Esse espaço será fundamental para avançar em temas centrais, como a vigência bianual das cláusulas sociais, o aperfeiçoamento do AMO e a proteção dos direitos dos trabalhadores em um momento de profundas incertezas para a CBTU.
Companheiros e companheiras, tenham segurança: nós estamos no caminho certo. Quem tem pressa em fechar um acordo sem exaurir todas as possibilidades da via negocial é a empresa. A democracia dos trabalhadores tem seu próprio ritmo. As decisões pertencem a vocês e serão tomadas nas Assembleias sindicais, de forma coletiva, sem pressões ou imposições patronais.
Mantenham-se mobilizados! A nossa maior força é a nossa organização e união, porque direitos se conquistam com participação e luta.
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